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segunda-feira, maio 30, 2005*
Sobre Woody Allen e o antidispositivo baudryanoEu não posso ver filme do Woody Allen no cinema. Cheguei a essa conclusão depois de ver pela primeira vez um filme do diretor na sala escura, Melinda e Melinda. Na metade cômica, a cada piada gráfica, o público gargalhava - inclusive o senhor ao meu lado que dava risadas com um tom de maquiavelismo anasalado. Não estou criticando o público, de jeito nenhum. As pessoas costumam rir em piadas. Nada mais normal do que isso. O problema sou eu (e isso não é uma mea culpa de fim de namoro ao estilo "It's not you, it's me"). Só vi cinco filmes do Woody Allen: Noivo neurótico, noiva nervosa, Manhattan, Rosa Púrpura do Cairo, Poucas e boas e Trapaceiros. Todos eles em casa e todos eles me divertindo com o humor delicioso. Mas depois de ver Melinda e Melinda no cinema, cheguei a duas conclusões fortes. A primeira: filmes do Woody Allen devem ser com o Woody Allen; só ele mesmo consegue interpretar os roteiros que escreve. A segunda: não dá pra ver uma comédia relativamente sutil com uma risada à seriados americanos no fundo a cada cena graficamente engraçada; meu cérebro praticamente se negava a achar graça de alguma coisa que fazia o velho do meu lado gargalhar esfregando aos mãos, e ao mesmo tempo eu me sentia quase constrangido de esboçar uma risadinha quando alguma coisa sarcástica era dita e o cinema permanecia em silêncio. Sobre o filme? A idéia original é inteligente e a narrativa paralela é bem interessante, mas não gostei da estrutura do roteiro de cada uma das partes separadamente. E Will Ferrell pode até ser angraçado, mas é um péssimo ator. O elenco todo está mal, com exceção de Chloë Sevigny. Por isso eu digo: Allen deve ser apreciado em vossa casa, em vosso próprio dispositivo cinematográfico, como gostais. Aliás, nesse caso o cinema seria o antidispositivo?
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sábado, maio 28, 2005*
Previously on Desperate Housewives...Se não quer ler spoilers, simples: não leia nada.Um season finale ao melhor estilo the ties that bind, mas com um gancho cretino pra cacete. Sério: Desperate Housewives é a maior enganação do ano. Existem momentos que beiram o patético, mas uma grande parte desaba nele. Um abuso de flashbacks pra justificar praticamente todo o mistério da temporada. Mas, na verdade, nada fez sentido e deixou bastante coisa pra ser esclarecida no próximo episódio. E por que os produtores têm esse desejo de matar alguém no final da temporada? Se essa porcaria levar o Emmy vai ser uma beleza. E é oficial: a narrativa da Mary Alice é a coisa mais irritante da televisão. Até os últimos cinco minutos do episódio, eu imaginava que o único jeito de a série se salvar seria com um bom início de segunda temporada. Mas agora, nem se demitirem os escritores. E eu me pergunto: onde... está... a... sátira?
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quarta-feira, maio 25, 2005*
 Cansei de gastar meu dinheiro comprando livro por puro fetiche. Não tenho tempo pra ler todos os livros que eu comprei esse ano. E mesmo se tivesse, não leria na mesma velocidade que os comprei. Lógico que quando sair o terceiro volume d'O Guia eu vou comprar, mas é uma exceção compreensível. Prefiro gastar meu dinheirinho - por enquanto - com cinema, porque pelo menos não tem como comprar o ingresso e guardar na estante sem ver o filme. Ademais, preciso economizar pros festivais (do Rio, da Claro e o Tim). Destarte, chega (esse foi forçado). ***E Steve Zissou é ótimo!
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sexta-feira, maio 20, 2005*
Mais do mesmoPrimeira atração do vindouro Tim Festival a emergir oficialmente, a rapper-furacão M.I.A, "embaixadora internacional do funk carioca" entre as muitas coisas legais que compõem sua sonoridade, entregou em seu site a sua presença no festival, as datas do festival (21, 22 e 23 de outubro) e que o festival só vai ser realizado no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna. Diferentemente do que foi cogitado, que poderia ser também em São Paulo.Desconheço M.I.A e não faço questão nenhuma de ouvir funk carioca com sotaque do Sri Lanka. E nada contra os paulistas, mas essa notícia não poderia ter sido melhor. E tô cansando de ficar retransmitindo as colunas do Lúcio Ribeiro pra cá. ***Comprei White Stripes.
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domingo, maio 15, 2005*
 Acabei de achar a palavra kitsch num post aqui embaixo. Suponho que eu nem sabia o que significava de verdade.
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Who's in a bunker, who's in a bunker?Reator.orgMemórias do subsoloBruno Boghossian [14/05/2005] O filme alemão A queda! As últimas horas de Hitler, baseado nos relatos da secretária do líder nazista, leva para a tela uma abordagem quase inédita dos momentos finais da Segunda Guerra Mundial. Na verdade, metade do filme foge ao padrão do gênero “de guerra”, mostrando – como entrega o título em português – os últimos dias do führer e seus generais num bunker, resistindo aos ataques soviéticos a Berlim em 1945. E esta metade é a única parte que funciona com excelência.
As mais de 2h30m de duração e um apuro estético que revela o alto orçamento mostram que a produção foi claramente exagerada (do ponto de vista cinematográfico, não de fidelidade histórica). Dezenas de explosões, reproduções perfeitas de Berlim, cadáveres espalhados pelas ruas, tudo isso poderia ter sido eliminado. O resultado seria uma obra mais enxuta, mais barata e muito mais focada no ambiente do bunker.
O ambiente claustrofóbico do abrigo subterrâneo é transmitido com perfeição pelos movimentos de câmera e pelo enquadramento, e seria suficiente para caracterizar a atmosfera de toda a situação a que os nazistas estavam submetidos, encurralados pelas tropas aliadas.
Hitler "humanizado" causa polêmica
É verdade que as cenas de Berlim sendo bombardeada pontuam de maneira cronológica e emocional a queda do Terceiro Reich, mas parece que a intenção original de A queda! era retratar Hitler. A abordagem despertou polêmica. Parte do público acusou o filme de engrandecer a figura de Hitler, "humanizando-o" exageradamente. A crítica respondeu com o argumento lógico – e óbvio – de que o tratamento foi humanizante porque Hitler era um ser humano.
O que talvez se perde é que a representação de Hitler apenas reflete a grandeza do império comandado por ele. A beleza do filme volta-se novamente para o protagonista, pois mostra exatamente a individualidade de um homem comandando o Reich. A força do personagem e sua grandiosidade são aspectos essenciais para essa representação.
É por isso que nenhum autor ou crítico exagera ao exaltar a performance de Bruno Ganz como o führer. É a mais pura – e novamente óbvia – verdade. O mérito volta mais uma vez a todo o processo de construção do personagem. Os ataques de raiva, a paranóia, o mal de Parkinson e o relacionamento com Eva Braun são representados de maneira impecável. E humana, por motivos biológicos e anatômicos, acima de tudo. A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER(Der untergang) Dir: Oliver Hirschbiegel Com: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Ulrich Matthes, Juliane Köhler Alemanha, 2004
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sexta-feira, maio 13, 2005*
Em doses homeopáticasNa semana que vem, o Campari Rock, festival (...) que acontece de 8 a 13 de agosto em São Paulo, deve anunciar seu line-up oficial. E uma pequena superbanda, que tocou no último Coachella Festival, pode aparecer na lista.
A coisa foge do controle em setembro e vira uma guerra de celulares. O querido festival de Curitiba assume nova data e novo nome e abre a folia rock do mês logo no dia 2 e 3. Atrações em breve. O Nokia Trends escanteia a parceria com o Sonar, se posiciona na segunda semana e, parece, fechou com o DJ americano Moby. O Claro Que É Rock trabalha com duas linhas de bandas, uma consagrada tipo Foo Fighters, uma de nomes emergentes tipo Bloc Party, e deve acontecer nos dias 17 e 18. Na mesma data, provavelmente, a capital federal vê o Brasília Rock Festival. E, quietinho, o Tim Festival (final de outubro/começo de novembro), prepara o melhor: já teria asseguradas as presenças da ótima M.I.A. (junto com o DJ parceiro Diplo), Franz Ferdinand, Interpol e Kasabian.Setembro com Festival de cinema e todos esses shows vai me sair caríssimo.
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sábado, maio 07, 2005*
Da série: eu adoro as fontes do Lúcio RibeiroNão é novidade para ninguém que, pela quantidade de festivais legais e grandes que o Brasil vai ver no segundo semestre, um monte de bandas bacanas vai aparecer por aqui. Mas saber que Franz Ferdinand e Interpol já estão confirmados para dois deles é notícia de prender a respiração desde já.Quem é Placebo mesmo?!
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Quem: Bruno Boghossian
De quando: 30/03/1986
Onde: Rio de Janeiro
Quê: Comunicação Social (ECO/UFRJ - 2004/1)
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